Resumo
A espiritualidade tem sido crescentemente reconhecida como um fator associado à promoção da saúde mental, englobando dimensões existenciais que transcendem os modelos exclusivamente biomédicos. O presente artigo apresenta uma revisão integrativa da literatura científica publicada entre 2020 e 2025, com base em estudos empíricos, revisões sistemáticas e meta-análises, examinando a relação entre espiritualidade e religiosidade e os indicadores de saúde mental, bem como os mecanismos psicológicos e sociais subjacentes. A revisão foi conduzida nas bases de dados PubMed/MEDLINE, PsycINFO e Scopus, complementada por pesquisa manual em revistas científicas selecionadas. Nove estudos satisfizeram os critérios de inclusão predefinidos e foram incorporados na síntese final. A evidência recente sugere que níveis mais elevados de espiritualidade estão associados a menores sintomas depressivos e ansiosos, maior resiliência e melhor regulação emocional, com associações predominantemente de magnitude pequena a moderada. Estes resultados parecem ser mediados por processos como o coping religioso positivo, a construção de significado e o suporte social, os quais podem ser reforçados em contextos comunitários de pertença partilhada e identidade coletiva. Contudo, foram igualmente documentados resultados desfavoráveis associados ao coping religioso negativo, refletindo piores indicadores de saúde mental e sublinhando a necessidade de abordagens eticamente fundamentadas, não doutrinais e culturalmente sensíveis. Conclui-se que a integração cuidadosa da espiritualidade pode constituir um recurso complementar relevante na promoção do bem-estar psicológico, sublinhando a necessidade de investigação longitudinal futura e do desenvolvimento de abordagens contextualmente sensíveis e não confessionais no âmbito da Educação para a Saúde.

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